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Inferno

O que é o inferno?

«Consiste na condenação eterna daqueles que, por escolha livre, morrem em pecado mortal. A pena principal do inferno é a eterna separação de Deus, o único em quem o homem encontra a vida e a felicidade para que foi criado, e a que aspira.» (CIC; 212)

 

No amor infinito que a Senhor tem cada alma, Ele permitiu que Alexandrina se sentisse indigna de estar em comunhão com Deus, isto é, condenada ao inferno. Tudo com a finalidade de oferecer esses sofrimentos para que as almas se convertessem e se voltassem para Jesus.

 

 

Aos nove anos, sucedeu um episódio com a Alexandrina, que demonstra a sua firmeza em ser de Deus:

«Foi aos nove anos que fiz pela primeira vez a minha confissão geral e foi com o Sr. Pe. Manuel das Chagas. Fomos, a Deolinda, eu e a minha prima Olívia, a Gondifelos, onde Sua Reverência se encontrava, e lá nos confessámos todas três. Levámos merenda e ficámos para tarde, à espera do sermão. Esperámos algumas horas e recorda-me que não saímos da igreja para brincar. Tomámos nosso lugar junto do altar do Sagrado Coração de Jesus e eu pus os meus soquinhos dentro das grades do altar. A pregação dessa tarde foi sobre o inferno. Escutei com muita atenção todas as palavras de Sua Reverência, mas, a certa altura, ele convidou-nos a ir ao inferno em espírito. Para mim mesma disse:

Ao inferno é que eu não vou! Quando todos se dirigirem para lá, eu vou-me embora!”, e tratei de pegar nos soquinhos. Como não vi ninguém sair, fiquei também, não largando mais os soquinhos.»

(Autobiografia; pág. 9)

 

 

No mês de maio, Alexandrina oferecia uma “florinha” cada dia, por determinada intenção. Eis a florinha do dia 21 de maio de 1936:

«Por amor de Jesus e da minha Mãezinha do Céu, sofrerei tudo neste dia pela conversão dos pecadores do mundo inteiro. Tanto, que não queria que fossem mais alminhas para o inferno!...»

(Autobiografia; pág. 35)

 

 

Alexandrina implora a Nossa Senhora:

«Ó Mãezinha, ó querida Mãezinha, sêde comigo, não me deixeis pecar; prefiro o inferno à mais pequenina ofensa contra Jesus e contra Vós.»

(Sentimentos da Alma; 02/04/1949)

 

 

Alexandrina fala do inferno

 

Alexandrina “vê” o horror infernal e sente-se condenada para assim, salvar almas:

 

«Que o Céu seja comigo. Sinto-me como se estivesse condenada ao inferno, a minha alma sente aqueles horrorosos suplícios. [...]

Quando sinto que estou nesse desespero eterno, sinto sobre mim o peso da justiça Divina. Querer ver a Deus e não poder. É mais, milhões de vezes mais doloroso, do que todo o tormento do inferno. A minha alma treme de medo, apavorada. Oh, quantos sofrimentos indizíveis se passam em mim!»

(Sentimentos da Alma; 13/08/1945)

 

 

«Perder a Deus, nunca mais ver a Deus. De vez em quando, sem nisso pensar, sem refletir, é este o meu brado da minha alma: Nunca mais ver a Deus, perder a Deus e perdê-lo para sempre. É o que ela sente, que a obriga a bradar muitas vezes: Perder a Deus, perder a Deus!

Minha pobre alma, quanto sofres! Continuo a sentir-me condenada ao inferno. [...] Sem poder conformar-se com a perda de Deus, sentia uma tal desesperação, mas não era eu que estava desesperada, que me obrigava a revoltar-me contra o próprio Deus, a amaldiçoá-Lo, assim como ao meu Anjo da Guarda, Pais e companheiros de pecado e caminhos que me levaram a ele; amaldiçoava-me a mim mesma, todo o Céu e toda a Terra. Que horror constante! Sabia que só do inferno era digna, mas não podia conformar-me com aquela habitação e com a perda de Deus!»

(Sentimentos da Alma; 16/08/1945)

 

 

«Perder a Deus é perda irremediável. Se no meio dos tormentos do inferno eu pudesse ver e amar a Deus, deixaria de ser inferno. Perdi tudo, todos os dons e graças recebidos, todas as boas obras e orações, toda a luz do Espirito Santo e santas inspirações, toda a grandeza de Deus: nada veja, nada tenho. Mesmo sem eu querer, são estes os desabafos da minha alma. Não sei dizer a aflição que nela sinto, é desesperadora. Que tristeza e escuridão! Nada há que a conforte. Se voltasse a possuir a Deus, se pudesse vê-Lo! Mas, ai, nunca mais!

Para que foi tanta vida na Terra? Para nada aproveitar. Tudo perdido.

Não vejo aquela grandeza de Deus, mas sinto-a no meio dos tormentos eternos, para mais sentir os horrores e peso da sua justiça Divina.»

(Sentimentos da Alma; 19/08/1945)

 

 

«Quando poderei deixar de obedecer para não ter de dizer os sentimentos da minha alma? Queria que morressem e desaparecessem em mim, como eu sinto que morri e desapareci.

Tudo vive, tudo canta e bendiz ao Senhor; as avezinhas e tudo o mais o louvam, só eu não. Não é louvado por mim, não é amado. A minha vida não existe, foi uma vida perdida. Quantas vezes saem da minha alma arrancos e desabafos quase desesperados: maldita foi a minha vida; melhor não tivesse nascido! Maldito leite que me alimentou e malditos os que me criaram!

E as labaredas do inferno estendem-se sobre mim. Tudo é horror.»

(Sentimentos da Alma; 21/08/1945)

 

 

«Arde o inferno dentro e fora de mim. Perdi a Deus, perdi o Céu, é o inferno a minha habitação. É e será eternamente. Que horrores, que sustos desesperadores. Sinto que me ceguei e me matei a mim mesma. Fui eu, só eu a causa da minha perda eterna. Tudo são uivos e horrores infernais.»

(Sentimentos da Alma 30/08/1945)

 

 

«Estou a sentir horrores da justiça Divina e continuo na minha louca e desgraçada vida. Estou cega, estou cega. Só me encantam os desvarios e loucuras do mundo. Na alma não penso na minha salvação eterna. Que triste vida, que triste morte!»

(Cartas ao Padre Mariano Pinho; 20/05/1940)

 

 

«Nosso Senhor ainda não estava satisfeito com os sofrimentos do dia: veio já a altas horas da noite e disse-me:

“Anda, Minha filha, para as portas do inferno para evitares que as almas caiam lá. Anda para ele sofrer os sofrimentos que devia sofrer aquelas que nele deviam cair.”

Então principiei a sofrer horrorosamente.»

(Cartas ao Padre Mariano Pinho; 15/08/1940)

 

 

«Jesus inclinou-me ao Seu Divino Coração, ficou em silêncio, mas eu bradei Lhe:

"Não deixeis, Jesus, a justiça Divina cair sobre nós, não deixeis as almas irem para o inferno nem deixeis fugir nenhuma das Vossas vítimas."»

(Sentimentos da Alma; 19/11/1948)

 

Jesus pede reparação

 

«Repara, repara, não as deixes cair no inferno. Esperava amor; tinha o direito de todo o amor, mas oh foi o contrário. Ódio aceso, expulsaram-Me dos seus corações, depois de Me rasgarem todas as veias do Corpo e de Me abrirem o Meu Coração. Vou a fugir, vou a fugir.».

(Sentimentos da Alma; 24/06/1955)

 

 

Uma das provações vividas por Alexandrina foi a noite escura da fé e o sentir-se indigna do amor de Deus:

«Que tristeza eu sinto com a separação do meu Deus! Parece-me que nunca mais me posso juntar a Ele: nem nunca mais O verei. O Céu não é para mim; Sinto Nosso Senhor a repelir-me d’Ele. Que sofrimento o dos condenados! Avalio o tormento deles. Só este bastava para eles sofrerem no inferno. Que horror! Quanto se deve evitar o pecado só para nunca perder a Jesus nem ferir o Seu Amante Coração.»

(Cartas ao Padre Mariano Pinho; 27/04/1940)

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