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Diretores Espirituais e outros Sacerdotes

 

Alexandrina desde pequena mostrou muito respeito pelos sacerdotes. Na sua Autobiografia escreve:

«Ainda na Póvoa de Varzim, lembro-me que tinha muito respeito pelos sacerdotes. Quando estava sentada à porta da rua, só ou com a minha irmã e primas, levantava-me sempre à sua passagem, e eles correspon­diam tirando o chapéu, se era de longe, ou dando-me a bênção se passavam junto de mim.»

(Autobiografia; pág. 7)

 

Durante a sua vida, Alexandrina recebeu dezenas de sacerdotes em sua casa, desde párocos, jesuítas, salesianos, espiritanos, franciscanos, dominicanos, beneditino, entre outros. Os motivos das visitas variavam desde curiosidade, conselho espiritual, pedido de oração, investigação, ...

 

 

Em maio, oferecia uma «florinha» a Nossa Senhora, uma intenção particular. Vejamos a sua «florinha» do dia 6 de maio de 1935:

«Por amor de Maria Santíssima e de Jesus Sacramentado, sofrerei tudo pelos sacerdotes.»

(Autobiografia; pág. 34) 

Pe. Mariano Pinho, S.J. - Primeiro Diretor Espiritual

 

 

O Pe. Mariano Pinho, sacerdote jesuíta, foi primeiro Diretor Espiritual de Alexandrina e é uma figura importantíssima na direção e vida de Alexandrina. Ela chamava-o “Paizinho”. O Pe. Mariano foi um sacerdote muito ativo e um escritor e pregador notável.

 

 

 

 

 

 

 

 

INFÂNCIA E ESTUDOS

 

Mariano Monteiro Carvalho Pinho nasceu em Bonfim, Porto, a 16 de janeiro de 1894 e faleceu no Recife, Brasil, a 11 de julho de 1963. Filho de pequenos comerciantes, foi estudar para Guimarães, onde fez os estudos secundários. No ano de 1910 é proclamada a República em Portugal, dando início à perseguição religiosa. Neste contexto, a 7 de dezembro de 1910, Mariano (16 anos) entra na Companhia de Jesus iniciando os seus estudos na Holanda. Estudou Humanidades e Retórica na Bélgica e Filosofia em Burgos, Espanha. Terminados os estudos segue para Baía, no Brasil, e leciona Matemática, Português, Latim e Inglês no Colégio Pe. António Vieira. Lá, fundou a revista «Legionários das Missões». Quatro anos mais tarde, regressa à Europa, concretamente a Innsbruck, Áustria, para cursar Teologia. É aqui que será ordenado sacerdote em 1926. No seguimento dos seus estudos, passa algum tempo em Paray-le-Monial, França, lugar onde o Sagrado Coração de Jesus se manifestou plenamente a Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), o que influenciou o seu ministério sacerdotal. Frequentou depois a Universidade de Comillas, em Espanha onde obteve o seu doutorado.

 

Volvidos 19 anos, o Pe. Mariano Pinho voltou para Portugal. Estabeleceu residência em Póvoa de Varzim e tomou a direção da revista «O Mensageiro do Coração de Jesus». Neste período, funda a «Cruzada Eucarística», revista que perdura até à atualidade com um razoável número de leitores. Teve a seu cargo a promoção e acompanhamento de variadas Congregações Marianas.

 

 

PE. MARIANO E ALEXANDRINA

 

Em 1930, Deolinda (irmã de Alexandrina) participou num retiro das Filhas de Maria, na Póvoa de Varzim, orientado pelo Pe. Pinho. Agradada, tomou-o como seu diretor espiritual e sempre que tinha oportunidade, confessava-se a ele.

Em 1933, aquando da pregação de um tríduo em honra do Sagrado Coração de Jesus em Balasar, encontrou-se com Alexandrina e tornou-se seu diretor espiritual. Agora, dirigia as duas irmãs. Fê-lo até 1942, ano do seu exílio para o Brasil.

 “Ouçamos” a Alexandrina:

«Em Agosto de 1934, voltou a fazer outra pregação aqui, e então é que abri a minha consciência. [...] Nessa ocasião, Nosso Senhor disse-me: “Obedece em tudo ao teu Padre espiritual. Não foste tu quem o escolheste, mas Eu quem to enviou.”»

(Autobiografia; pág. 26)

           

Em 1940, o Pe. Mariano Pinho pede a Alexandrina que escreva a sua Autobiografia.

 

 

PE. MARIANO E A CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

 

Em 1935, Jesus pede a Alexandrina a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria:

«Manda dizer ao teu Pai espiritual que em prova do amor que dedicas à Minha Mãe Santíssima, quero que seja feito todos os anos um Ato de consagração do mundo inteiro [...]»

(Carta ao Padre Mariano Pinho; 01/08/1935)

 

O Pe. Mariano Pinho desempenhou um papel importante no cumprimento deste desejo Divino: um ano depois, escreve ao Papa Pio XI por meio do seu secretário Cardeal Pacelli (futuro Papa Pio XII), comunicando-lhe o pedido de Jesus a Alexandrina; três anos depois do pedido de Jesus, o Pe. Mariano Pinho pregou os Exercícios Espirituais ao Episcopado Português falando-lhes desse pedido. Os bispos enviaram em conjunto um comunicado ao Papa falando-lhes da necessidade dessa Consagração. Até à data da mesma, o Pe. Mariano Pinho move-se para alcançar esse desejo Divino. Fruto também dos seus esforços, a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria é realizada a 31 de outubro de 1942.

 

A Alexandrina suscitava grande polémica devido, principalmente, aos fenómenos místicos na sua vida, como por exemplo, a vivência da Paixão de Cristo no corpo e na alma. Em 1942, o Pe. José Terças, missionário espiritano, publicou um artigo acerca de uma Paixão vivida pela Alexandrina à qual assistiu. Associado a Alexandrina, o Pe. Mariano Pinho foi vítima de calúnias e maledicência a seu respeito, sendo acusado gravemente de falsidades

No dia 1 de outubro de 1942, recebe uma ordem do seu Superior para que cessasse toda a comunicação “direta e indireta, pessoal ou escrita”. Por punição, foi enviado para o Seminário menor da Companhia de Jesus, em Cernache do Bonjardim. No dia 20 de fevereiro de 1946, foi exilado para Baía, Brasil, país onde permaneceu até à sua morte.

Durante o tempo que viveu no Brasil continuou a fazer um apostolado ativo. Foi professor, conferencista, diretor espiritual de congregações e movimentos eclesiásticos, Em 1948, publica «O Coração Imaculado de Maria à Luz de Fátima», considerada por muitos a sua melhor obra. Em 1956, publica o livro “Vítima da Eucaristia” e, em 1963, “No Calvário de Balasar”, ambos sobre a vida e mensagem da Alexandrina.

 

 

JESUS FALA A ALEXANDRINA DO PE. MARIANO PINHO

 

Jesus:

«Diz, diz, Minha filha ao teu Paizinho Eu que o amo, que é o filho predileto da Minha Companhia. Quanto mais o fazem sofrer mais o Meu Divino amor se irradia nele. Jesus vai conduzir ao seu Divino Coração a ovelha perdida; Jesus não demora. O Céu é dele, a coroa está tecida. É de espinhos abrilhantada com as pedras mais preciosas. [...]

(Alexandrina) Obrigada, obrigada, meu Jesus, recompensai a todos por mim, pagai-lhes com o Vosso Divino amor e permiti que eu lá do Céu a todos conforte e a todos assista em suas necessidades.»

(Êxtases; 02/05/1942)

 

      

Jesus:

«Dou-te tudo o com tudo fico, Minha filha; dou-te toda a Minha riqueza, e em Meu nome quero que o dês ao teu Paizinho também como prémio do seu sofrer. Diz-lhe que o associe ao princípio do teu Calvário e que ele foi o teu cirineu e contigo vítima. Diz-lhe que fui Eu que vos uni e que, nesta união, passais a vida da terra e a eternidade. No dia da primeira crucifixão, vós formastes uma escada para o Paraíso, pela qual não têm cessado de subir as almas. Diz-lhe que Eu sou sempre o seu Jesus, cheio de bondade e amor para com ele. Diz-lhe que Jesus lhe manda todas as graças deste Calvário, deste viveiro de almas.»

(Sentimentos da Alma, 06/12/1947)

           

Pe. Mariano Pinho fazendo anotações durante um êxtase de Alexandrina

 

Jesus:

«Dá ao teu Paizinho, Minha filha, o Meu Divino Coração com toda a doçura, ternura e amor. Dá-lho cheio dos Meus agradecimentos pela sua dor e exemplo na sua cruz; é exemplo dos santos.»

(Sentimentos da Alma; 05/05/1945)

 

Jesus:

«Coragem! O teu Paizinho auxilia-te de longe como se estivesse aqui. Eu não o retirei de ti. Acompanho-o com a tua Mãezinha para te amparar. Coragem, coragem, coragem.»

(Sentimentos da Alma; 20/03/1942)

 

 

MORTE E CAUSA DO PE. MARIANO PINHO

 

O Pe. Mariano Pinho morreu no dia 11 de julho de 1963, em Recife, Brasil, com 69 anos de idade. Deixou uma herança extraordinária e possuiu um papel importante na vida e na propagação da mensagem de Balasar. Mais tarde, na investigação sobre a vida da Alexandrina, a inocência e dignidade do Pe. Mariano Pinho são reconhecidas e reestabelecidas. As injúrias eram falsas. Sobre ele declarou o seu amigo Pe. Abel Guerra. S.J.:

«Sofreu como um santo as piores calúnias e tribulações, sem um lamento nem uma rutura na sua alegria espiritual.» (Pinho, Pe. Mariano; “No Calvário de Balasar”; pág. 314)

 

Os restos mortais do Pe. Mariano foram trasladados do Brasil para Balasar. Desde 14 de fevereiro de 2007, eles estão na Capela-jazigo em que esteve o corpo de Alexandrina até ser transferido para a Igreja Paroquial (1978). 

 

A 7 de junho de 1952, Jesus disse a Alexandrina:

«Diz ao teu Paizinho que ele está todo absorvido, dentro do Meu Coração Divino. É n’Ele que ele sofre, é n’Ele que ele trabalha, é n’Ele que ele vive. Diz-lhe que as grandes imolações e as grandes crucificações são próprias dos santos. Ele será contado no número dos Meus eleitos. Ele há-de ser coroado com a auréola dos santos. Dá-lhe todo o Meu amor com toda a Minha paz, na certeza de que a sua vida dolorosa foi permitida por Mim. Se ele soubesse o proveito da sua dor. No Céu tudo vai saber e compreender.»

(Sentimentos da Alma; 07/06/1952)

 

 

Jesus:

«Diz ao teu Paizinho que já cá na Terra tem um trono em meu Divino Coração. Diz-lhe que Jesus e Maria o amam loucamente. Diz-lhe que já que nesta luta mais não pode te acompanhar sempre, sempre com corações, sempre, sempre com aquela união de almas com que Eu Vos uni. Diz ao teu médico que seja forte com a força do meu Divino Coração. Que te acompanhe sempre, sempre que te ajude a levar a cruz. Que conte sempre com as graças e bênçãos do Senhor para ele e todos os seus, todos eles terão a perseverança final.»

(Êxtases; 05/06/1943)

 

Neste êxtase, Jesus confirma o Seu amor pelo Pe. Mariano Pinho e Alexandrina expressa toda a afetividade e cumplicidade que tinha com o seu diretor, proibido lhe comunicar:

 

«(Jesus) Diz filhinha, diz ó bela de Jesus, diz ao teu Pai espiritual que tudo, tudo vai receber do Céu por este canal de Jesus. Jesus ama-o com toda a loucura de amor. Jesus tudo lhe vai dar pela Sua louquinha da Eucaristia. Jesus tudo lhe vai dar por aquela que ele preparou e guiou para ele. Que prémio, que prémio ele ainda na Terra vai receber de Jesus. Ó filha amada, ó filha querida, vais receber de Jesus. Ó filha amada, é filha querida vais receber de Jesus todas as graças, todo o amor que lhe pedires. Vais dar o prémio, vais dar amor aos que te são queridos. Vais dar o prémio, vais dar amor e todas as graças de Jesus ao teu médico e a todos os seus. Jesus é riquíssimo e rica faz a Sua esposa. Ela vai velar no Céu por aqueles que na Terra tanto cuidam dela. Ela vai ser a joia riquíssima, o cadinho que limpa os pecadores. Os pecadores enriquecem-se e salvam-se com a amada de Jesus.

«(Alexandrina) Ó Jesus, ó Jesus eu não sou digna que me digais tanta coisa. Eu não mereço ouvir as Vossas doces palavras, mas já que assim Vos dignais falar-me, ouvi-me. Dai-me o meu Paizinho, transformai o coração dos Homens, tomai-me para vítima de todos os que me fazem sofrer. Levai-me para o Céu, levai-me, levai-me, mas não falteis com o meu Paizinho, quero vê-lo, quero abrir-lhe a minha alma. Confio que não faltais às Vossas promessas, juro-Vos que confio e que tudo espero de Vós.»

(Êxtases; 02/01/1943)

 

 

Jesus:

«Jesus está contentíssimo com o P. (Paizinho) da Sua benjamina querida. São as humilhações porque está a passar que o hão-de glorificar e exaltar. O prémio é grande no Céu e grande será na Terra ainda a recompensa.»

(Êxtases; 06/06/1942)

 

 

Jesus:

«Muito obrigada Minha heroína. Subiste ao Calvário que alma nenhuma subiu. Eu acompanhei-te e o teu Paizinho foi o Cireneu foi que te acompanhou sempre para te dar força.»

(Êxtases; 05/10/1938)

 

 

Jesus:

«Diz ao teu Paizinho que corro para ele com ânsias devoradoras, quero consumi-lo no fogo do Meu Divino Coração. Quero que ele transmita este amor às almas, às que lhe confiei, às que vierem ao seu encontro na sua passagem pela Terra. É mestre delas, por Mim escolhido; para elas lhe dou todas as Minhas riquezas e graças.»

(Sentimentos da Alma: 05/09/1949)

 

Em novembro do ano de 1952, Jesus deixou bem expressa a santidade do Pe. Mariano Pinho:

«Diz ao teu Paizinho que os eleitos do Senhor o esperam. Ele será contado entre eles; como os Meus santos, ele será honrado na terra; como eles, subirá às honras dos altares. Preparo-o para isso pelo sofrimento.»

(Sentimentos da Alma; 01/11/1952)

 

 

Inscrição junto ao túmulo do Pe. Mariano Pinho

 

 

 

ORAÇÃO

Pai Santo que, nos Vossos desígnios de amor, quisestes que o Padre Mariano Pinho, servo fiel e amigo, fosse o confessor e diretor espiritual da Beata Alexandrina, e o cumulastes de grande virtude e de muita sabedoria para a ajudar no seu caminho, concedei-nos por seu intermédio e graça... que com perserverança e confiança Vos pedimos, em união com a Paixão de Jesus e com a sua presença na Santíssima Eucaristia, e por meio do Imaculado Coração de Maria. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo, Ámen.

 

IMPRIMATUR  Pagela nº136 + J.Arc. Primaz

Apostolado de Oração - R. S. Barnabé, 32 4710- 309 Braga

Tel.: 253 689 440 www.apostoladodaoracao.pt 

 

 

Documentos sobre o Pe. Mariano Pinho

Pagela do Pe. Mariano Pinho (contacte-nos para obtê-la)

Pe. Mariano Pinho - Apóstolo da Misericórdia

Pe. Mariano Pinho - Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria

Pe. Mariano Pinho - Consagrado ao Senhor

Pe. Mariano Pinho - Homem de Fé e Mestre Espiritual

Pe. Mariano Pinho - Homem de Oração

Pe. Mariano Pinho - Insigne Escritor

Pe. Mariano Pinho - Mestre do Discernimento

Pe. Mariano Pinho - Oferecido em Holocausto

Pe. Mariano Pinho - Pai e Mestre espiritual

Pe. Mariano Pinho - Pastor dedicado

Pe. Mariano Pinho - Sacerdote em oferta com Jesus Eucaristia

Pe. Mariano Pinho - Um Mestre humilde

Pe. Mariano Pinho - Um Sacerdote com coração

Pe. Mariano Pinho - «Um Santo perseguido»

Pe. Mariano Pinho - Sacerdote de fé profunda

 

Pe. Humberto Pasquale, S.D.B. - Segundo Diretor Espiritual

 

Humberto Maria Pasquale (Umberto: nome original) nasceu em Vignole Borbero, Turim, Itália, a 1 de setembro de 1906. Faleceu em Rivoli, Turim, Itália, a 5 de março de 1985. O Pe. Humberto, pertencente à Congregação dos Salesianos de Dom Bosco, apareceu na vida da Alexandrina num momento de grande solidão e desorientação espiritual. Tornou-se o seu segundo diretor espiritual. Incubia-lhe de escrever o “Diário” onde nos é dado a conhecer a riqueza da vida e mensagem da Alexandrina. Foi também um grande amigo. Teve um papel muito importante na organização da informação que seguiu para o Processo Informativo Diocesano de Alexandrina. Foi o primeiro postulador da Causa de Beatificação e Canonização da Beata Alexandrina.

 

 

 

ESTUDOS E SERVIÇO

 

O Pe. Humberto Pasquale estudou dois anos no liceu em Valdocco, Turim (terra onde D. Bosco deu início à obra do seu serviço para os jovens) mas foi retirado pelo seu pai por ter manifestado vontade de ser missionário. Depois de enfrentar algumas dificuldades, conseguiu entrar no seminário de Stazzano, Piemonte. Passados três anos, regressou aos Salesianos e durante o noviciado de Borgomanero, ofereceu-se para trabalhar na Colômbia, com os leprosos. No entanto, o caminho foi diferente: partiu para Portugal onde permaneceu por 15 anos e começou por ajudar numa Casa salesiana recentemente inaugurada. Em 1935, foi ordenou-se sacerdote pelo Cardeal Cerejeira, em Lisboa. Dois anos depois, dirigiu a nova Casa de Mogofores, Anadia, que primeiramente foi pensada como espaço para o Noviciado. Porém, a Obra estendeu-se e alargou-se em Oratório masculino, Laboratório para raparigas e Ninho de infância. Mais tarde, fundou as Edições Salesianas que mantêm um trabalho ativo na atualidade, com sede no Porto desde 1945.

 

 

PRIMEIRO CONTACTO COM ALEXANDRINA

 

Estabeleceu-se uma amizade sincera entre o Pe. Humberto e Alexandrina sendo que ele era cinco anos mais novo que Alexandrina.

O próprio relata como conheceu Alexandrina:

«Conheci a Alexandrina em 22 de junho de 1944. As coisas passaram-se assim:

Fui convidado para me interessar pela Alexandrina, pela Sra. D. Mariana Inês de Melo Sampaio (...) que fora dirigida pelo Pe. Mariano Pinho. Ao princípio, escusei-me, não só por causa do meu trabalho (...) mas também porque tinha receio de me meter no assunto, devido aos factos extraordinários que me contavam dela.

Certo dia, encontrei-me num almoço em S. Miguel das Aves, para onde tinha ido pregar, e ouvi (...) a criticarem a Alexandrina. Isso fez-me impressão. Fui falar com a Madre Chantal. (...) Foi ela quem me deu as primeiras notícias e notícias boas a respeito dela, e animou-me a ir visitá-la. Fui então a Balasar na data acima indicada de 22 de Junho de 1944.»

«A Alexandrina recebeu-me muito bem, e fiquei muito impressionado com a sua simplicidade e a mesmo tempo com a sua sabedoria. Falava-me de coisas tão altas que parecia um teólogo.

Fiquei a conversar com ela bastante tempo. Senti logo muita pena quando me disse que não tinha diretor espiritual. Ficou muito consolada de ser compreendida por mim. Fiquei lá nessa noite. (...)

Eu estava interessado em ficar, pois sabia que havia um êxtase no dia seguinte e queria estudar a pessoa da Serva de Deus, pois tinha ficado muito impressionado com a conversa dela. Mais me impressionou a conversa que tive com ela na manhã, visto que descobri que estava nas fases mais altas da mística, que eu só conhecia teoricamente dos escritos de S. João da Cruz e de Santa Teresa.»

(Silva, Fernando; “Caminhos de Balasar”; pág. 170/171)

 

Pe. Humberto Pasquale junto de Alexandrina

 

 

 

DIREÇÃO ESPIRITUAL

 

O Pe. Humberto Pasquale tornou-se Diretor Espiritual de Alexandrina de 1944 até à sua morte, sendo que no ano de 1948, retornou a Itália, mantendo contacto por cartas com a Alexandrina. Ela sentia-se muito compreendida por ele e pediu-lhe direção. Depois de uma breve conversa com o Pe. Mariano Pinho, primeiro Diretor de Alexandrina, o Pe. Humberto aceitou. Ele tinha-lhe dito para o reconfortar: “O Senhor lhe dará luzes para a guiar”.

«E comecei a ser Diretor Espiritual dela a 8 de Setembro de 1944, a (seu) pedido. (...)

Fiquei nessa função até fins de Outubro de 1948, data em que me ausentei para Itália. Durante a minha ausência, continuaram-me a enviar-me através dos Salesianos do Porto, o diário escrito da Alexandrina. Eu, por minha parte, escrevi-lhe inúmeras vezes.

Um mês depois de ter começado a direção espiritual de Alexandrina, fiz um relatório, fazendo nele um paralelo entre o que dizia S. João da Cruz, Santa Teresa e a Alexandrina, e chamando a atenção para a importância do caso e a para a ortodoxia da doutrina. Entreguei o relatório ao Dr. Dias de Azevedo, para que o fizesse chegar ao Senhor Arcebispo Primaz. Feito isto, comecei a recear pelas consequências da minha atitude. Que me iria acontecer? Posso dizer que entrei em pânico.»

(Silva, Fernando; “Caminhos de Balasar”; pág. 171/172)

 

 

Para continuar o bom trabalho do primeiro diretor, incumbiu a Alexandrina de ditar o “Diário” à sua irmã Deolinda. Ambas obedecem, ainda que por vezes lhes fosse custoso: à Alexandrina, por colocar por escrito toda a sua intimidade com Jesus, a sua espiritualidade; à Deolinda porque já tinha muitas ocupações.

 

O Pe. Humberto acreditava na Alexandrina. No entanto, sentia-se inseguro acerca do que se passava e preocupado em relação ao seu futuro. Deus, na sua bondade, manifestou ao Pe. Humberto a autenticidade divina na vida de Alexandrina.

«Um dia, estando em Balasar, peguei no Breviário e dirigi-me para uma mata; durante mais de uma hora, rezei e chorei; de joelhos, pedi a Nosso Senhor uma prova de que eram coisas d’Ele.

No dia seguinte, depois de ter celebrado missa na Igreja paroquial, pedi o relicário para levar a Comunhão à Alexandrina. O sacristão disse-me que teria de esperar, pois o senhor Abade estava nessa altura fora, dando a comunhão a um doente e levara-o consigo.

Ajoelhei-me no presbitério e, passado pouco tempo, entrou na Igreja a Deolinda, que me disse o seguinte: “Passou por nossa casa o senhor Abade e deixou ficar o SS. Sacramento em cima da mesa do quarto, dizendo que ia com muita pressa para o comboio e que V. Rev. daria a comunhão à Alexandrina. Venha, portanto, depressa!”

Pus-me a caminho e, quando cheguei a casa de Alexandrina, ela estava fora da cama em joelhos e em êxtase. Quando cheguei, afastou-se, dando-me lugar. Nesse momento, eu ordenei-lhe que fosse para a cama. Não sei como o pôde fazer, o que sei é que se levantou e caminhou sozinha para o leito.

Dei-lhe a Sagrada Comunhão e, automaticamente, sentei-me e peguei na caneta e num bloco e mentalmente disse a Nosso Senhor: “Gostaria de saber o que se passa entre os dois.” Contra o costume, que não falava nos êxtases privados, ouvi o seguinte: “Isto são maravilhas, são provas dadas por mim. Diz ao meu querido Padre Humberto que a causa é minha, a causa é divina.”

Não sei reproduzir o resto, mas lembro-me perfeitamente que fiquei atrapalhado, porque não conseguia recolher por escrito o que ouvia. Mentalmente, disse a Nosso Senhor: “Estou atrasado” e Ele repetiu desde o princípio três ou quatro vezes para eu escrever tudo. Enchi uma página de bloco, cujo original se encontra no arquivo da Casa da Alexandrina.»

(Silva, Fernando; “Caminhos de Balasar”; pág. 172)

 

Em 1945, Alexandrina e a sua irmã tornaram-se cooperadoras salesianas (leigos comprometidos com a missão salesiana de serviço aos jovens). Com certeza, a presença do Pe. Humberto, sacerdote salesiano, contribuiu para este compromisso.

Alexandrina estava feliz com a pessoa que Deus lhe enviara para a dirigir. Em vésperas da sua partida para Itália, escreve-lhe uma carta gratificante:

«Meu bom Padre: [...]

Depois de pedir luz e forças ao Céu, quero dizer ao meu bom Padre que esta minha carta tem o fim de felicitar e saudar aquele que tanto por mim tem feito nas horas trágicas da minha vida, o que jamais esquecerei. E depois de o felicitar de alma e coração, prometo, no dia 1 de setembro, aniversário de Vossa Reverência, comungar, sofrer e orar para que Jesus com Sua bendita Mãe lhe deem as suas melhores bênçãos e graças e o façam cada vez mais santo e mais cheio de amor pelas almas. [...]

Adeus, nunca esquecerei o grande bem, o grande amparo que tem dado à minha alma. Lembro-o na Terra e lembrá-lo-ei no Céu. Muito obrigada. [...]»

(Cartas aos Padre Humberto Pasquale; 30/08/1948)

 

 

 

JESUS FALA A ALEXANDRINA SOBRE O PE. HUMBERTO

 

Jesus

«Dá ao Meu Padre Humberto os meus agradecimentos por ter vindo dar vida à alma da Minha esposa, da Minha vítima amada. Dá-lhe as Minhas graças, bênçãos e amor a ele e a toda Congregação.»

(Sentimentos da Alma; 16/01/1945)

 

 

Jesus

«Dá ao Meu querido padre Humberto a abundância do Meu amor. Diz-lhe que estou com  ele quando ora, quando trabalha, quando guia e encaminha para mim a tu alma. Dá-lhe por Mim os Meus agradecimentos.»

(Sentimentos da Alma;  08/03/1945)

 

 

Jesus

«Dá ao Meu querido P. Humberto um grande enchente do Meu Divino amor e de Minha Bendita Mãe. Dá-lhe os Meus agradecimentos a e a todos os que concorrem para a vinda d'Ele aqui para alívio da tua-alma.»

(Sentimentos da Alma; 18/07/1945)

 

 

Jesus

«Diz ao Meu querido Pe. Humberto que os Meus Divinos olhares se estendem a tudo; quero fazer dele na Terra um outro Cristo, quero-o em tudo semelhante ao Meu Divino Coração. Eu amo-o, estou com ele e por ele movo os Meus corações.»

(Sentimentos da Alma; 04/09/1948)

 

 

 

DEDICAÇÃO À CAUSA

 

Como se lê na transcrição acima, o Pe. Humberto dedicou oito meses a escrever a biografia de Alexandrina. Na verdade, foi o maior o seu biógrafo.

Em 1957, lança o livro “Beata Alexandrina”, em Turim. Fez ainda um estudo sobre a Alexandrina “A Alexandrina e a Mística”. Escreveu dezenas de obras: biografias, antologias, artigos, etc.

Em 1965, foi chamado a Balasar para preparar o Processo Informativo Diocesano, no qual foi uma das principais testemunhas. Nesse ano, foi-lhe confiada pelo Arcebispo de Braga, a organização do Processo de beatificação e canonização da Alexandrina.

A 7 de maio de 1973, levou a documentação para Roma. A Causa da Beatificação da Alexandrina tomou caminho graças em boa parte ao Pe. Humberto Pasquale e aos seus irmãos salesianos.

 

O Pe. Humberto Pasquale teve um papel singular na vida de Alexandrina. Ele assistiu a muitos episódios da sua vida - levitação, êxtases, e outros momentos fortes -mas o que mais admirava na Alexandrina era a sua humildade e simplicidade que brilhava a cada dia:

«No entanto, se realmente quer que eu sintetize, numa só palavra, aquilo que nela era mais convincente e a fazia aparecer aos nossos olhos como alma extraordinária, dir-lhe-ia que era a sua bondade. Ela era “a bondade em pessoa”. Era esta bondade que imediatamente nos levava a pensar em Deus e dava à Alexandrina a auréola da “alma extraordinária”.»

(Pasquale, Pe. Humberto; “Beata Alexandrina”)

 

 

 

ORAÇÃO

Ó Santíssima Trindade, a Ti elevamos um hino de louvor e de gratidão por teres dado à Igreja e à Família Salesiana, o Pe. Humberto Maria Pasquale, sacerdote segundo o Coração de Cristo. Quando Tu o chamaste, consagrou a sua vida a Ti e, seguindo fielmente o caminho aberto de S. João Bosco, anunciou o Evangelho e levou o Teu amor por toda a parte, gastando-se pela juventude pobre, pelos pequenos, pelos que sofrem, e guiando numerosas almas pelo caminho da santidade. De Ti, esperamos pela intercessão de São João Bosco e do seu fiel filho Pe. Humberto, o dom de sacerdotes santos e diretores espirituais que, iluminados pelo Espírito Santo, guiem os jovens e todas as almas pelo caminho da caridade e da santidade.

 

IMPRIMATUR

Curia Arcebispal de Tortona                    + Martino Canessa

22.9.2006

 

Pe. Leopoldino R. Mateus - Pároco

Leopoldino Rodrigues Mateus nasceu na Póvoa de Varzim, no dia 9 de janeiro de 1879. Era o mais velho de seis  filhos, e o único rapaz.

Sentindo o chamamento à vida sacerdotal, entrou para o Seminário de Braga onde revelou as suas grandes capacidades como aluno e seminarista.

A sua ordenação sacerdotal ocorreu no dia 21 de setembro de 1901, em Braga.

Depois de 29 anos a paroquiar na Póvoa de Varzim, foi enviado para a paróquia de Santa Eulália de Balasar, no ano de 1933. 

 

 

Início e fim da notícia sobre a ida do Pe. Leopoldino para Balasar in "A Propaganda"; 14/10/1933. É ressaltada a sua dedicaçao aos pobres.

 

Depois da sua chegada promoveu a vivência de diversos movimentos religiosos na paróquia: Cruzada Eucarística, Juventude Agrária Católica, Liga Agrária Católica, visita domiciliária da Sagrada Família, entre outros.

Prestava muita atenção às crianças: a Cruzada Eucarística era uma presença constante nas procissões e nas Adorações Eucarísticas da paróquia.

Destaca-se o seu contributo no campo jornalístico: escreveu numerosos artigos para jornais da época.

 

Continuou a sua missão pelos mais pobres com a ajuda dos seus paroquianos. Em alguns dos seus artigos, sugeriu a angariação de donativos para resolver o problema financeiro do Hospital, etc. De facto, Balasar participou ativamente, na época, um “Cortejo de Oferendas” para ajudar o Hospital:

 

 

Em 2007, numa entrevista realizada a uma senhora de Balasar – D. Felismina dos Santos Martins (tinha então 94 anos), disse acerca do Pe. Leopoldino: «Nunca ralhava com ninguém, fazia tudo com boa cara. Dava muitas esmolas aos pobres. Dos pobres não exigia oferta, a menos que lha dessem. Estava sempre pronto para confessar, quer antes, quer depois das missas e também a qualquer hora do dia. [...]

Era muito amigo das criancinhas!... Gostava de lhes contar histórias. Faziam-se festas muito bonitas, com a participação delas, no salão da Igreja. [...]

Contou-nos, também, que o Pe. Leopoldino levava, diariamente a Sagrada Comunhão à Alexandrina e a outros doentes, mesmo de lugares muito distantes da sua residência. [...]

A D. Felismina recordou, com emoção, o funeral da Beata Alexandrina, dizendo: “Foi um funeral muito bonito. Foi o Pe. Leopoldino que tratou de tudo”.»

(Felismina S. Martins cit. in Linhares, Zulmira; Boletim Cultural da Póvoa de Varzim; vol. 42; pág. 472/473)

 

Manteve-se em Balasar até setembro de 1956. Depois de 23 anos de pároco, o Pe. Leopoldino pediu para se retirar do mesmo serviço.

 

Transcrevemos excertos do artigo publicado no Jornal Ala Arriba, do dia 6 de outubro de 1956:

«O Sr. Pe. Leopoldino Rodrigues Mateus, que ha 22 anos vinha exercendo o múnus pastoral da freguesia de Balazar pediu, por motivo de saúde, a exoneração do seu cargo que foi aceite pelo Senhor Arcebispo Primaz, ....

No domingo, a freguesia de Balasar reuniu-se toda para prestar as suas homenagens e preito de gratidão ao Abade que durante largo tempo a serviu com tanto zelo, dedicação, afecto e carinho....

[...] O Sr. Pe. Mateus mostrou a sua gratidão pela forma como sempre foi tratado, sumariou factos da sua paroquialidade, referiu-se de modo especial à saudosa Alexandrina e formulou votos por que a freguesia continue a trilhar o bom caminho sob a direcção do novo Abade, Pe. Francisco Dias de Azevedo.»

(Artigo do Jornal Ala Arriba; 06/10/1956 cit. in Linhares, Zulmira; Boletim Cultural da Póvoa de Varzim; vol. 42;  pág. 470/471)

 

Passou os último dez anos da sua vida na sua terra natal – Póvoa de Varzim – com a sua irmã Virgínia. Celebrava a Eucaristia todos os dias na Igreja da Lapa e na Igreja de S. Tiago, recebendo grande consideração e afeto pelos seus amigos e conhecidos.

 

Partiu para a Vida Eterna no dia 28 de janeiro de 1966, contando 87 anos de vida. Vejamos um pequeno artigo acerca do seu falecimento.

 

Uma das ruas mais movimentas de Balasar tem o seu nome, que não será esquecido: Rua Padre Leopoldino Mateus.

 

 

 

Notícia da morte do Pe. Leopoldino Mateus in jornal "Ala Arriba"; 05/02/1966; pág. 2 cit. in Linhares, Zulmira; Boletim Cultural da Póvoa de Varzim; vol. 42; pág. 470/471)

 

 

 

 

 

Fonte: Linhares, Zulmira; “Relembrando o Pe. Leopoldino Rodrigues Mateus; Boletim Cultural da Póvoa de Varzim; vol. 42)

 

 

 

PE. LEOPOLDINO R. MATEUS E ALEXANDRINA

 

Quando o Pe. Leopoldino chegou a Balasar, Alexandrina contava já com 29 anos de vida e 8 anos de acamada.

Primeiramente, levava-lhe a Sagrada Comunhão só nas primeiras sextas feiras, depois de 15 em 15 dias e, mais tarde, todos os dias.

Ele fez questão de estar presente na Paixão de Jesus em Alexandrina, diversas vezes.

 

Seguem-se duas referências ao Pe. Leopoldino feitas pela Alexandrina nos seus escritos:

«Já à noite, confessei-me e fui pelo meu pároco muito conformada. Jesus Ihe pague e o cubra de glória.»

(Êxtases; 23/09/1946)

 

 

Alexandrina:

«De manhã tinha feito a minha preparação para receber a Jesus e chegou o meu pároco e colocando o Suspirado da minha alma sobre a mesa; depois de acender as velas disse-me:

“Aqui tens Nosso Senhor a fazer-te companhia um bocadinho. Vem aí o Senhor Pe. Humberto e dá-to.”»

(Sentimentos da Alma; 12/10/1944)

 

Esteve também presente na hora da morte de Alexandrina (dia anterior):

«Às 15 horas, entraram o Pároco, o Confessor, Monsenhor Mendes do Carmo, o Doutor Manuel Augusto Dias de Azevedo, e todos os outros familiares. Puseram-se todos de joelhos.»

(Pasquale, H.; “Alexandrina”; pág. 334; 1.ª edição; 12/10/1955)

 

Foi o Pe. Leopoldino quem lhe ministrou o Sacramento da Santa Unção:

«No fim destes 2 atos foi-lhe ministrada a Extrema-Unção pelo reverendo Pároco desta freguesia. Antes de receber este Sacramento pediu singularmente perdão à mãe, à irmã, ao confessor, ao Sr. Pe. Alberto, ao Sr. Abade, ao Sr. Doutor, às primas, pessoas amigas e à criada.

Enquanto pedia perdão disse estas frases:

[...] Sr. Abade, peço-lhe perdão. A minha eterna gratidão por me trazer Nosso Senhor todos os dias. Peço que em meu nome peça perdão ao povo todo.»

(Sentimentos da Alma; 12/10/1955)

 

 

Após a morte de Alexandrina, o Pe. Leopoldino escreveu vários artigos sobre ela: «Quem, junto da Alexandrina, representava a vontade da Igreja e do Bispo era o seu pároco. E foi precisamente ele, o Rev. P. Leopoldino Mateus, abade de Balasar, quem, imediatamente após a morte da sua paroquiana, escreveu vários artigos onde louvava as raras e evidentes virtudes de que ela dera mostras.»

(Pasquale, Humberto; “Eis a Alexandrina”; pág. 78)

 

 

Conta o médico de Alexandrina, no ano de 1965:

«Das várias coisas que (o Pe. Leopoldino) queria dizer da Alexandrina, duas podia referir. Uma era que lhe levara durante anos a Sagrada Comunhão, dizendo-lhe ela que nunca esqueceria esse favor, essa sua canseira. E, por isso mesmo, estava certo de que a Alexandrina não o esqueceria, rezando por ele. Por vezes, várias pessoas andavam desencaminhadas dos bons costumes e, tendo-lhe ele pedido que as chamasse e as aconselhasse, a Alexandrina conseguira com os seus conselhos que essas pessoas se emendassem e corrigissem.»

(Dr. Dias de Azevedo cit. in Pasquale, Humberto; “Eis a Alexandrina”; pág. 105)

Pe. Alberto Gomes - Confessor

 

Alberto Guimarães Gonçalves Gomes foi o confessor de Alexandrina. Nasceu no dia 17 de agosto de 1888, em Travassos, Póvoa de Lanhoso e faleceu a 29 de março de 1974 na mesma terra. Os seus pais - Domingos António Gomes e Joaquina Rosa Alves - deram aos filhos uma educação cristã. Alberto era o mais velho de oito irmãos.

Em 1942, quando Pe. Mariano Pinho (primeiro diretor espiritual de Alexandrina) foi definitivamente afastado de Alexandrina, proibido de “a ver e escrever”, teve o cuidado de lhe assegurar o acompanhamento de um “santo” sacerdote: o Pe. Alberto Gomes, pároco de Travassos, Póvoa de Lanhoso, na diocese de Braga.

O Pe. Alberto Gomes, homem bom, humilde e dedicado, foi uma figura importantíssima na vida de Alexandrina. Foi seu confessor desde 1942 até à sua morte (1955).

Este sacerdote fundou a Obra do Amor Divino, à qual Alexandrina pertenceu.

Pe. Alberto Gomes in "Pequena história de uma grande Obra"

 

 

INFÂNCIA E ESTUDOS

 

O Pe. Alberto era de constituição muito frágil e de saúde delicada. Durante a infância, sofreu de graves problemas de saúde.

Em 1902, o Pe. Alberto entrou para o ensino liceal em Guimarães mas interrompeu-o para responder ao seu chamamento vocacional para o sacerdócio. Foi então que, em 1904, com 16 anos de idade, entrou para o seminário de Santo António, em Braga, seguindo sete anos depois, para o seminário de São Tiago, onde completou o curso de Teologia. Devido a problemas políticos, o Pe. Alberto não pode ser ordenado em Braga; foi ordenado no Porto, pelo bispo D. António Barroso. Celebrou missa nova em Travassos, sua terra natal, a 29 de julho de 1914.

Depois de desempenhar várias funções em algumas paróquias, tornou-se pároco da paróquia que o viu nascer, dois anos depois da sua ordenação.

 

 

 

Pe. Alberto Gomes in "Pequena história de uma grande Obra"

 

 

 

PE. ALBERTO E ALEXANDRINA

 

Desde o primeiro encontro, o Pe. Alberto ficou impressionado com a vida e a espiritualidade de Alexandrina. Eis um pequeno excerto que relata como tudo aconteceu:

«Em setembro de 1934, (...) de passagem pela Póvoa de Varzim, teve conhecimento da existência, em Balazar, de uma donzela muito falada, por causa dos seus sofrimentos e muito notável pela sua virtude. Dali, em viagem de caminho de ferro, foi, só e oculto, fazer uma visita à veneranda, sendo recebido cristãmente pela família, que o conduziu ao leito da paralítica Alexandrina Maria da Costa, na sua humilde casinha, no lugar do Calvário. Depois de uma conversa espiritual, que durou cerca de uma hora, o Sr. Pe. Alberto retirou-se santamente impressionado com tudo o que notou e nunca mais esqueceu.

Passados seis meses, em 21/9/1940, no Largo do Barão (de S. Martinho), em Braga, encontrou-se certa pessoa com o nosso Fundador, e deu-lhe um recado mandado pelo Rev. Pe. Mariano Pinho, SJ, dizendo que este sacerdote muito ansiava falar-lhe. O Sr. Pe. Alberto não pôde desta vez entender tal pedido, mas na primeira viagem que fez a Braga, foi avistar-se com o Rev. Pe. Pinho, no Largo das Teresinhas, e este expôs-lhe o desejo de que ele conhecesse uma doente em Balazar e observasse o que nela se passava de extraordinário ou sobrenatural. O Sr. Pe. Alberto respondeu que já conhecia essa doente, pois a tinha visitado havia seis anos e, então, anuindo ao pedido, segui dali à praça (de táxis, na Avenida Central) e tomou um automóvel que o conduziu a Balazar.

 

Era sexta-feira. Sua Rev(erência) pôde assistir pela primeira vez ao fenómeno místico da Paixão, de que em todas as sextas-feiras, pelas 3 horas da tarde, era protagonista a referida alma.

Por devoção voluntária, ficou então a repetir tais visitas, preferindo sempre fazê-las à sexta-feira, para poder apreciar e registar os altíssimos êxtases dialogados, entre ela e o seu Amantíssimo Esposo Divino. Estávamos assim numa série de visitas em ritmo frequente.

Em 20 de janeiro de 1942, de passagem para Balazar, procurou o Rev. Pe. Mariano Pinho, indagando se desejava qualquer notícia para a sua filha espiritual. Aquele sacerdote regozijando-se com o facto, expôs que a grande doentinha se encontrava naquele momento em grande provação, em virtude de ele ter recebido, do seu Provincial, ordem para se ausentar do país. Pediu então, fosse portador de uma grande bênção, e lhe prestasse qualquer serviço ou assistência espiritual de que ela necessitasse. A isto respondeu que não ousaria fazê-lo sem que a Alexandrina manifestasse tal desejo.

Em face desta objeção, o Pe. Pinho, escreveu num cartão a bênção para a doente, dando-lhe ordem de aceitar os serviços espirituais do portador. Este partiu para Balazar.»

(cit. in Obra do Amor Divino -“Pequena história de uma grande obra”)

 

 

 

CONFESSOR DE ALEXANDRINA

 

A Providência Divina encarregar-se-á de, volvidos sete anos do primeiro encontro entre Alexandrina e o Pe. Alberto, este se tornar seu confessor fiel até à sua morte. Vejamos um registo alusivo à predileção de Alexandrina pelo seu confessor:

«Após a visita à doente, e depois de lhe ter dirigido palavras de conforto espiritual, ia para se retirar, quando a doente o chama e lhe suplica que a oiça em confissão. Foi desde aí, que o Sr. Pe. Alberto tomou sobre si o espinhoso encargo de confessar aquela alma que, vendo-se privada do seu diretor habitual (Pe. Mariano Pinho), por conselho do mesmo tomou voluntariamente a direção do bom Pároco de Travassos e Diretor da Obra do Amor Divino, durante os últimos 13 anos da sua preciosa vida. Sua Rev.(erência) ia confessá-la todos os quinze dias e dar-lhe toda a direção espiritual.

A Alexandrina, que aceitou o Sr. Pe. Alberto por conselho do Sr. Pe. Pinho, que já se encontrava no Brasil – em 3 de fevereiro de 1942-, a tranquilizá-lo acerca do estado da sua alma, dizendo “que não se preocupasse a seu respeito pois o Sr. Pe. Alberto tudo fazia delicadamente para guiar sempre a sua alma a Deus e para a Mãezinha do Céu”.

Durante os últimos 13 anos e tal, desde que o Sr. Pe. Alberto a começou a confessar, só se confessou duas ou três vezes ao Sr. Pe. Humberto Pasquale, de quem a Alexandrina disse ao Rev. Pároco de Balazar: “Vi que ele compreendia a minha alma e confessei-me. Mas o meu confessor é o Sr. Pe. Alberto, como V. Rev(erência) sabe.”. E continuou o Pároco: “Mas o Pe. Humberto é o teu diretor?” “Sim. Tem-me dirigido. Mas ele disse logo de princípio que não queria na verdade tomar o lugar dos outros, isto é, do primeiro diretor, nem do Sr. Pe. Alberto, e que lhes falasse nisso.”

Deste modo, a Alexandrina nunca quis ser ouvida de confissão por qualquer outro sacerdote, a não ser pelo Sr. Pe. Alberto, até ao fim da sua vida; foi ele que a absolveu pela última vez, no dia 12 de Outubro de 1955, véspera da sua partida para o Céu.»

(cit. in Obra do Amor Divino -“Pequena história de uma grande obra”)

 

Pe. Alberto Gomes in "Pequena história de uma grande Obra"

 

 

 

DEDICAÇÃO HERÓICA

 

Para poder estar ao serviço, o Pe. Alberto fez grandes sacrifícios uma vez que tinha que se deslocar de Travassos (Póvoa de Lanhoso) a Balasar, no mínimo de 15 em 15 dias. É de notar que, na altura, a situação financeira e a saúde do Pe. Alberto constituíam uma dificuldade. No entanto, ele sempre cumpriu o seu dever com grande dedicação e alegria interior por assim servir a Deus, na sua filha Alexandrina.

Eis outro registo:

«Em alguns anos, o Sr. Pe. Alberto teve muita dificuldade em se deslocar a Balazar. Chegou mesmo a fazer a viagem por várias vezes em carroças de tendeiros, puxadas por pobres e esqueléticos muares, e às vezes, sentado em cima de sacos de legumes ou cereais, exposto às intempéries de Inverno.

Aconteceu mesmo que, certa vez, foi a Balazar num dia invernoso, montando num cavalo, e, ao regressar, já de noite, para encurtar o caminho, meteu-se por um atalho com a mira de atravessar o rio à beira de um cemitério. Mas em vez de sair onde queria, foi parar a um lameiro onde o pobre cavalo se enterrou até aos joelhos, e ele próprio submergiu os pés em lama. Foi com profundas aflições que, por fim, se conseguiu livrar-se do desagradável atoleiro, e, por sorte pode pernoitar a Grimancelos, conseguindo chegar a Travassos apenas no dia seguinte.

Tantos episódios, mas que belíssima missão a de um padre! Bendito seja Deus!...

Era cantado no íntimo da sua alma a linda doação “Tudo por Vós e para Vós, ó Sagrado Coração de Jesus”, que sempre vencia as dificuldades e tudo lhe parecia belo no decorrer de tão difícil quanto espinhosa missão. Mas Deus velava, pois verificava que, por mais incomodado que se encontrasse, quando tivesse de ir a Balazar, logo na véspera desaparecia o incómodo, sentindo-se bem disposto e rijo, voltando de lá sempre com maior vigor físico, sem nunca lhe surgir qualquer impedimento que lhe dificultasse a viagem, como frequentemente acontece na vida irregular de um pároco.

Era o Céu a conduzir e a favorecer esta direção mística, prestada à privilegiada doente, que nada fazia, por menos importante que lhe parecesse, sem o conselho e autorização do seu guia espiritual. O próprio Sr. Pe. Alberto aproveitou muitíssimo em dirigir tal alma, pois por meio dela muitas vezes teve a confirmação da Doutrina Reparadora que na Obra do Amor Divino vinha ensinando.»

(cit. in Obra do Amor Divino -“Pequena história de uma grande obra”)

 

 

 

JESUS FALA A ALEXANDRINA DO PE. ALBERTO 

 

Jesus:

«E o Meu querido Pe. Alberto que seja assíduo a teu lado até que cesse a perseguição e os maus juízos. A dor é filha do amor. É com dor e com amor que dás a vida aos filhos meus.»

(Sentimentos da Alma; 02/12/1944)

 

 

Quando o confessor precisava de luz acerca de uma decisão: 

«(Alexandrina) "Meu Jesus, não sei como hei-de dar aquela resposta ao confessor, não a compreendo."

(Jesus) "É bem clara, Minha filha. O silêncio fala sempre, quando nada há que dizer. Um prolongado silêncio diz tudo; dá toda a luz; é com esse silêncio que a alma compreende e tem luz para se desprender daquilo a que não deve estar presa."»

(Sentimentos da Alma; 02/09/1946)

D. António Bento Martins Júnior

D. António Bento Martins Júnior nasceu no dia 5 de maio de 1881, em Arcos, Vila do Conde e faleceu no dia 19 de agosto de 1963. Era filho de António Bento Martins e Tereza da Conceição Alves Torres.

Depois de terminar os estudos primários, ingressou no Seminário menor de Braga. Em 1900 (19 anos), matriculou-se no Curso de Teologia.

Em 1903, depois de terminar o curso com distinção, foi ordenado e partiu para a Universidade Gregoriana, em Roma.

Em 1928, foi nomeado Bispo de Bragança e em 1932, foi nomeado Arcebispo de Braga, sucedendo D. Manuel Vieira de Matos.

Faleceu a 19 de agosto de 1963, sendo sepultado na capela dos Arcebispos de Braga. Em 1989, a sua urna foi traslada para a Catedral de Braga.

D. António Martins Jr. era conhecido pela sua inteligência, prudência, dedicação à Igreja e por ser um conhecedor das suas leis.

 

 

D. ANTÓNIO MARTINS JR E ALEXANDRINA

 

Em 1935, Jesus pede pela primeira vez a Alexandrina que seja feita a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, pelo Santo Padre. O pedido chega à Santa Sé.

 

Para se inteirar melhor da vida de Alexandrina, a Santa Sé pediu informações acerca de Alexandrina. D. António Martins Jr, Arcebispo da diocese a que Alexandrina pertence, escreve acerca dela (24 de fevereiro de 1939):

«A rapariga parece verdadeiramente dotada de singular virtude, humilde, simples, piedosa, tal que não pode haver suspeita de fraude ou afetação nas coisas que diz ou conta. Responde com uma maravilhosa modéstia e naturalidade às perguntas que lhe são postas. Só se queixa de uma coisa: de ser conhecida e falada.

 (D. António Martins cit. in Silva, Fernando M.; “Caminhos de Balasar”, pág. 200/201)

 

 

No seguimento desta investigação, D. António Martins Jr. incumbe a Companhia de Jesus (a quem pertencia o Pe. Mariano Pinho, primeiro diretor de Alexandrina) de estudar melhor o caso, na pessoa do Pe. Dr. António Durão, provincial dos Jesuítas.

 

 

Jesus fala do Arcebispo a Alexandrina, para que o mundo seja consagrado a Maria:

«Jesus pede ao médico da Sua crucificada para que ele peça ao Sr. Arcebispo que faça que a Sua causa triunfe, que faça que o mundo seja consagrado ao Imaculado Coração da Virgem Mãe. Que escutem a voz de Jesus, que se apressem a salvar o mundo, a salvar Portugal.»

(Êxtases; 05/09/1942)

 

 

O Arcebispo pediu que estudassem a fundo o jejum de Alexandrina, assim como um acompanhamento psiquiátrico. O Secretário-Geral da Arquidiocese – Dr. Sebastião da Costa Cruz – surpreendia a Alexandrina a qualquer hora para averiguar a verdade. Pode-se concluir que D. António tomou medidas para descobrir a verdade fidedigna.

Entretanto, com a publicação do relato da Paixão vivida pela Alexandrina, pelo Pe. Terças, a Alexandrina passou a andar “nas bocas do mundo”. A polémica foi enorme e as opiniões divergiam; as visitas a sua casa aumentaram em grande número. Preocupado com toda essa agitação, D. António Martins Jr. nomeou uma comissão, composta de três teólogos, entre os quais o Cónego António Gonçalves Molho de Faria, para estudar o caso de Balasar. Esta comissão investigou, embora essa pesquisa fosse mais tarde posta em causa.

 

 

Durante todos esses anos, conta a professora Maria Cândida L. Reis «que a Alexandrina obedeceu sempre às ordens do Sr. Arcebispo.», pelo amor e respeito que tinha à Santa Igreja, instituída por Jesus Cristo.

Alexandrina conta:

«Segunda feira, dia 7, esteve aqui o Secretário do Senhor Arcebispo, Rev. Dr. Sebastião Cruz. Veio visitar-me e oferecer-me um livro. Disse-me que tivesse muita confiança de que a minha vida era o dedo de Deus em mim, que Ele me chamou como chama a muito poucas almas:

“O seu caso, Alexandrina, está estudado e todos os que a conhecem desapaixonadamente veem que é obra de Deus, que é um caso digno de respeito. O Senhor Arcebispo mudou completamente da ideia que tinha a seu respeito. Ele admira-a e venera-a. Isto sem vaidade, ó Alexandrina, o seu leito é um altar e a Alexandrina é uma hóstia. Torne-se cada vez menos indigna do chamamento do Senhor, porque dignos nenhuns somos...”»

(Alexandrina cit. in Humberto, P.; “Eis a Alexandrina”; pág. 177)

 

 

Foi este Arcebispo que «Nove meses após o falecimento da Alexandrina ... aprovou uma oração para servir de novena para uso particular com o fim de pedir a Deus a beatificação da Serva de Deus. Ainda não tinham passado dois anos, e o mesmo Arcebispo Primaz quis benzer a capela jazigo e, pouco depois, desejou a publicação de um Boletim mensal que falasse da Alexandrina.»

(Calovi, Pe. Heitor; “A serva de Deus Alexandrina Maria da Costa;

“Posições e Artigos para o Processo Informativo Diocesano"; art. 125)

Cón. Manuel Pereira Vilar

 

Manuel Pereira Vilar nasceu em Terroso, Póvoa de Varzim, no dia 14 de setembro de 1903 e morreu a 7 de março de 1941, com apenas 37 anos de idade.

Entrou para o seminário de S. Barnabé, Braga, em 1917 e completou os seus estudos em Roma na Universidade Gregoriana, com distinção. Aos 26 anos, é nomeado professor de Teologia e prefeito de estudos no Seminário Menor. A 25 de março de 1931 foi nomeado cónego do Cabido da Sé Primacial. Nesse mesmo ano é nomeado também vice-reitor do Seminário. A 10 de outubro de 1936 é nomeado reitor do mesmo.

Em 1938, foi nomeado reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma. Recebeu os títulos de Cónego e Monsenhor.

Aquando das investigações à Alexandrina pela Santa Sé (em consequência do pedido da Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria), o cónego Vilar foi o escolhido para um segundo exame, mais exigente. Este ficou conhecido pela sua simplicidade, doação, humildade e grandes capacidades intelectuais.

No centenário do seu nascimento, foi-lhe prestada uma homenagem em Terroso: A Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo de Braga e concelebrada por D. Eurico Nogueira (então Arcebispo de Braga), seguida de uma romagem ao cemitério de Terroso, onde Cón. Vilar está sepultado numa campa rasa. No final das comemorações, foi atribuído o seu nome a uma das ruas de Terroso, por onde passava frequentemente. D. Jorge Ortiga afirmou que «permanece um perfume na recordação de muitos que ouviram falar da simplicidade generosa e da alegria de servir com encanto»; «Foi uma vida passageira mas marcada por uma atitude permanente de viver os encargos pastorais com o maior ardor e entusiasmo.»

Fontes: Ação Católica e Diário do Minho

 

 

CÓNEGO VILAR E ALEXANDRINA

 

Em 1935, Jesus pede pela primeira vez a Alexandrina que seja feita a Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, pelo Santo Padre. Para alcançar este pedido Divino, o Pe. Mariano Pinho (primeiro diretor espiritual de Alexandrina), os bispos portugueses, entre outras pessoas escreveram para o Roma. Para se inteirar melhor da vida de Alexandrina e, consequentemente, da veracidade deste pedido, a Secretaria de Estado de Roma pediu informações acerca de Alexandrina. Depois de uma primeira investigação, Santa Sé decide averiguar melhor e dá essa tarefa ao Cón. Vilar.

Cón. Vilar visitou-a pela primeira vem em 1939. A Alexandrina gostou muita da conversa entre ambos e o diálogo fluiu com naturalidade. Na sua Autobiografia conta como tudo se passou:

«Em 5 de janeiro de 1939, recebi a visita do nosso Sr. Abade, acompanhado pelo Exc.mo e Rev.mo. Senhor Cónego Vilar que, depois de me ser apresentado, ficou a sós comigo. Falámos de várias coisas do Nosso Senhor cerca de duas horas, para depois entrarmos verdadeiramente no assunto que o trouxe aqui. Sua Reverência disse-me:

“A Alexandrina deve estranhar a minha visita, não me conhece…”

Sorri-me, respondendo-lhe:

“Eu sei com certeza ao que V. Reverência vem aqui”.

Ao que ele disse:

“Diga, diga, Alexandrina.”

Então disse eu:

“Vem de mando da Santa Sé”, pois era o que eu sentia na minha alma nesse momento. Sua Reverência confirmou, dizendo:

“É isso mesmo”.

E apresentou os documentos que tinham vindo de Roma. Fez-me várias perguntas a que respondi. Não falei da crucifixão, mas falou-me ele, dizendo: “Parece que há mais qualquer coisa que se passa há meses...”, apontando-me a Paixão, mostrando desejo de vir assis­tir, como veio logo na primeira sexta-feira seguinte.

Falando disto ao meu Diretor espiritual, este aconselhou-me a que lhe falasse com toda a franqueza. Visitou-me quatro vezes, mas só duas foram obrigató­rias. Se não me engano, logo da primeira vez disse-me:

“Olhe, Alexandrina, gostava de há muito a ter conhecido, mas não queria ter vindo como vim”. Confiou-me o segredo da sua partida para Roma, pois naquela ocasião só era sabedor o Sr. Arcebispo.

Como me sentia muito bem a falar com ele, e como tinha toda a licença do meu Diretor espiritual, falámos muito, mesmo muito, de Jesus, porque sentia-me como que mergulhada num abismo de santidade e sabedoria, o que raras vezes me acontece, mesmo com sacerdotes. Disse-lhe que não falava assim com outros senhores Padres, porque não era meu feitio, mas sim pela confiança que nele tinha. Sua Reverência respondeu-me:

“Faz muito bem, Alexandrina, em nada dizer porque, se lhes dissesse, eles não a compreenderiam.”

Chorei, quando Sua Reverência se despediu de mim na sua partida para Roma. Prometeu escrever-me de lá, dizendo-me que ficaria a ser a sua intercessora na terra. Recebi algumas cartas dele, em que mostrava ter em mim inteira confiança. Respondi-lhe, que ajudávamo-nos mutuamente com orações a Nosso Senhor.»

(Autobiografia – Segundo exame da Santa Sé; pág. 56/57)

 

 

Dois meses depois da visita, Con. Vilar escreve-lhe de Braga:

«Desde que aí estive, já grandes acontecimentos se deram no mundo. O Santo Padre Pio XI morreu, mas o seu Sucessor não é certamente menos agradável ao Coração Divino: ele realizará a sua obra. Eu é que ainda me encontro em Portugal, e não sei quando partirei; mas será com certeza por todo este mês.»

(Cón. Vilar cit. in Pasquale, H., “Alexandrina”; pág. 99; 1.ª edição)

 

 

Em abril, chegado a Roma, escreveu:

«Recordo-a todas as vezes que entro na Capela, a visitar Jesus, ou sempre que pego no meu terço, no qual coloquei a recordaçãozinha que me ofereceu a última vez; dentre tantas é talvez a que mais estimo. E todos os dias na Santa Missa faço um «memento» especial por si, pedindo ao Senhor todas as graças de que necessita para realizar a sua missão. Ainda não fui recebido pelo Santo Padre; mas logo que seja, expor-lhe-ei todos os desejos de Nosso Senhor. Já cheguei a ter um certo receio de ir assim diretamente, mas agora estou resolvido a fazê-lo: Ele atender-me-á».

(Cón. Vilar cit. in Pasquale, H., “Alexandrina”; pág. 99; 1.ª edição)

 

 

Seguiram-se mais algumas cartas entre ambos, onde se confiavam às suas missões. Entretanto, Cón. Vilar morre e assisitirá à Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, no Céu.

 

 

JESUS FALA DO CÓN. VILAR

 

Jesus:

«Agora para o Senhor Cónego Vilar. Quereis agora falar sem receio? É um discípulo muito amado?»

(Êxtases; 27/01/1939)

 

 

Jesus:

«Vá ter com o Vosso querido servo Vilar, vai ser ele o portador? Vai empenhar-se junto do Santo Padre, para que depressa seja realizados os Vossos desejos? Ele que vá contente onde a obediência o chama? E sempre que em Meu nome pedir auxílio para as aflições dele será ouvido? Serei protetora dele na Terra e no Céu?»

(Êxtases; 20/03/1939)

 

 

Jesus:

«Manda dizer tu ao Senhor Cónego Vilar, que é muito amado por Mim; que não se preocupe , se (não) é compreendido. Eu que o compreendo e basta. Que leve as coisas com carinho, mas com todo o rigor.»

(Êxtases; 05/05/1939)

Mons. Mendes do Carmo

 

Mons. Manuel Mendes do Carmo nasceu a 16 de setembro de 1883 em Louriçal do Campo, concelho, distrito de Castelo Branco e Diocese da Guarda. Foram seus pais Eusébio Mendes e Prudência do Carmo. Foi batizado a 16 de dezembro do mesmo ano.

Entrou no Colégio de S.Fiel em Louriçal do Campo da Companhia de Jesus. Frequentou os Seminário da Guarda. Foi ordenado sacerdote no dia 10 de agosto de 1907 por D. Manuel Vieira de Matos. Mons. Mendes do Carmo foi professor de Mística no Seminário Maior da Guarda e Cónego da Sé da Guarda. Frequentou também em Roma a Universidade Gregoriana.

Faleceu na Guarda (Seminário) no dia 3 de fevereiro de 1966.

Fonte: Cúria Diocesana da Guarda

Mons. Mendes do Carmo (gentilmente cedido pela Diocese da Guarda)

 

 

 

MONS. MENDES DO CARMO E ALEXANDRINA

 

Em 1955 conheceu a Beata Alexandrina nos últimos 3 meses de vida: 26 de julho de 1955, depois a 18 de agosto e a 11 de outubro de 1955. No entanto, pode-se afirmar que o seu contacto foi breve mas forte. Afirmou acerca de Alexandrina:«É um anjo crucificado!».

Coube ao Mons. Mendes do Carmo escrever o prefácio crítico do livro “Alexandrina” do Pe. Humberto Pasquale.

Escreveu dois artigos: “As últimas horas da doentinha de Balasar”. “Um enterro talvez nunca visto em Portugal”, Imprensa do Porto e Braga. 

 

No livro “Alexandrina”, do Pe. Humberto Pasquale (segundo diretor espiritual de Alexandrina), está registado o testemunho do Monsenhor Mendes do Carmo, aquando dos seus encontros com Alexandrina:

«Só conheci a Doentinha de Balasar, nos últimos três meses da sua vida, a 26 de Julho de 1955. Cheguei na tarde desse dia, acompanhado de pessoas amigas e dedicadas. Entrámos no quarto da doente a cumprimentá-la, por brevíssimos minutos apenas, pois outras visitas, esperavam também.

 Saio para a sala de visitas e digo para a família da doente e companheiros de viagem:

“Desejo muito estar ainda com a doentinha só, e por dois ou três minutos.”

Saem as últimas visitas, entro eu e pergunto-lhe:

“Minha filha, sofre muito?”

E ela responde:

“Ai tanto, Sr. Doutor!”

“E quer dizer-me qual a sua maior cruz?”

“Estou no fim da minha vida, em agonias de morte, e não tenho o meu Diretor, que tanto amparou a minha alma.”

Eu perguntei-lhe:

“Já leu a vida de Santa Margarida Maria?”

“Não, não li.”

“Então ouça o que lhe vou dizer: Quando ela teve as aparições do Sagrado Coração de Jesus e sofria terrível martírio, Jesus mandou-lhe como diretor o Padre La Colombière, hoje também nos altares. O santo diretor, depois de ter examinado bem tudo o que se passava, garantiu-lhe que era obra divina. Ela ficou tranquila e a superiora e irmãs aceitaram a decisão. Pouco depois, por ordem dos superiores, o santo diretor deixou Paray, deixou a França e foi para a Inglaterra, trabalhar na conversão dos protestantes. Margarida não chorou, não pediu que o conservassem, não mostrou desgosto, só uma ligeiríssima pena lhe passou pelo coração. Quando Jesus lhe apareceu a primeira vez, depois da partida, disse-lhe:

«Como? Não te basto Eu, que sou o teu princípio e o teu fim?»

E Margarida teve imensa pena daquela pequenina “pena.”

Despedi-me com estas palavras:

“Minha filha, paz e confiança. Adeus. Ore por mim que a lembrarei na Santa Missa.”

Agradeceu, e parti. Quando depois me perguntavam que impressão tivera da Doentinha de Balasar, respondia: “A de um anjo crucificado.”

A 18 de agosto voltei novamente a Balasar. Encontrei a doentinha ainda mais doente. Hospedei-me em sua casa durante 24 horas. Foram breves, mas muito apreciadas as conversas que o estado gravíssimo da doente permitiu. Despedi-me, dizendo-lhe que desejava voltar quando ela tivesse um pouco mais de forças.

Desígnios misteriosos da Providência!

Voltei a 11 de outubro e tenho a surpresa e a graça de assistir à sua agonia, à sua morte e ao seu enterro.

Dei-lhe a última bênção, recebi o seu último suspiro e deu o seu último beijo ao meu Crucifixo.»

(Mons. Mendes do Carmo cit. in Pasquale, H.; “Alexandrina”; pág. XI – XIII; 1.ª edição)

 

 

No dia 12 de outubro de 1955, véspera da morte de Alexandrina, Mons. Mendes do Carmo celebrou Missa no seu quarto. Relata:

«No dia 12, depois da Missa Infinita, dei-lhe a Comunhão Divina. Recolheu-se no silêncio eloquente e profundo da sua ação de graças. Seguiram-se horas de sofrimento, asfixiante, respondendo a algumas perguntas com palavras quase impercetíveis.»

(Mons. Mendes do Carmo cit. in Pasquale, H.; “Alexandrina”; pág. 333)

 

 

No dia 13 de outubro de 1955, dia da morte de Alexandrina:

«Às 11h35: Alexandrina pede que lhe rezem as orações dos agonizantes. Mons. Mendes do Carmo, de joelhos com os presentes, contenta-a, e as inspiradas, comoventes preces, confortam aquela alma bendita já próxima a despegar o voo para a eternidade. [...] Monsenhor Mendes do Carmo, que desde há dois dias não abandonara Alexandrina, aproximou-se do cadáver e curvou-se reverente a beijar-lhe as mãos.»

(Pe. Humberto Pasquale cit. in Pasquale, H.; “Alexandrina”; pág. 335/336) 

Pe. José Terças, CSSp

 

Nasceu a 7 de maio de 1879 em Merufe, Monção.

Foi no Seminário das Missões da Formiga, ou Ermesinde, que o estu­dantinho de Merufe (Monção), iniciou a carreira eclesiástica, aos doze anos. Ele nascera, numa boa casa de lavradores minhotos, em 1899. A vida confinada debilitou-lhe a cons­tituição e o rapazinho teve de re­gressar aos ares da aldeia natal.

Voltou a tentar o estudo, de pas­sagem, no Colégio do Espírito Santo de Braga, definitivamente, no Semi­nário da Diocese do Porto. Em 17 de Julho de 1902 foi ordenado sacerdote.

Findo o noviciado, entrou na Con­gregação, professando, e veio para Lisboa encarregado do "Portugal em África", em 1906. A sua personalidade vincada manifestou-se logo na transformação que infligiu à revista, para lhe alargar o âmbito de acção: para que não fosse lida só pelas elites coloniais, mas pelo povo, desdo­brou-a em revista ilustrada da vida da Metrópole e revista colonial. In­felizmente, como a revista ilustrada podia mal competir com a "Ilustra­ção Portuguesa" (do "Século") e a colonial se fez muito insignificante, reduzida a proporções de suple­mento, o "Portugal em África" não se aguentou com a tempestade su­perveniente de 1910.

Mas a paixão e a queda jornalística de organizador ficou para sem­pre ao Padre Terças. Mesmo antes de criar as bases de "A Ordem"­ depois "Época" - inspirou muitas secções e muitas campanhas, até em jornais republicanos, para salvar as Missões Ultramarinas Católicas e para ressuscitar os Institutos de preparação de missionários.

Desligado enfim de “A Voz" (ór­gão que substituíra “A Época") e das engrenagens que o papel desem­penhado no jornal arrastava, pediu o nosso sempre dedicado amigo e irmão o favor da readmissão.

Escreveu em 1929 a obra “A Caminho da Terra Santa”.

Pro­fessou de novo, após novo noviciado, em 1933. Mergulhou então numa obra que desde a juventude o fasci­nara: o Evangelho, ou a Vida de Cristo, à luz com que a ilustram as visões da contemplativa Catherina Emmerich. Por isso pediu para residir em Lisboa e cá viveu, só com o intervalo de um ano passado a dirigir alunos miúdos das Missões na Silva (Barcelos) e dois anos a ajudar em serviço idêntico em Braga e em Godim.

Em 1941 escreveu “A Paixão Dolorosa”, composta por 5 volumes.

Adoeceu em 1945, pois a vida inte­rior intensa queimara-lhe todo o sistema nervoso que a enérgica vontade queria comandar em esforços espasmódicos intermitentes: Só muito tarde o timoneiro se reconhecia vencido e se submetia ao tratamento imposto por mão alheia. Duas vezes  agonizante, reconhecia a necessidade  de recolher a um hospital e, no fim como suprema esperança terrestre, a da mudança de ares na casa onde decorrera em paz o seu segundo noviciado. Foi em Fraião, a 14 de janeiro de 1944, depois de brevíssimo alívio e aparente melhoria, que se extinguiu subitamente com a alma preparada pela purificação do sofrimento e pelos sacramentos da Igreja, que já em Lisboa lucidamente recebera com resignada paz, fé e abandono nas mãos do grande Pai das almas.

Fonte: Missionários Espiritanos

 

 

PE. TERÇAS E ALEXANDRINA

 

Durante quatro anos – de 1938 a 1942 – Alexandrina viveu no seu corpo e no seu espírito a Paixão de Cristo. A este fenómeno místico, assistiram um número restrito de pessoas mediante a sua autorização (a que cedia com muito custo) ou a autorização do seu diretor.

Aconteceu que, no dia 29 de agosto de 1941, o Pe. Terças assistiu à paixão da Alexandrina e registou o que via e ouvia. Publicou depois esse relato na revista n.º 10 «Vida de Cristo, a Paixão dolorosa», vol. V, Lisboa, 1941. De referir que este sacerdote, sofria um pouco de surdez, e não transcreveu com fidelidade o que ouviu. No entanto, este testemunho é de grande valor.

 

Vejamos os sentimentos de Alexandrina acerca da visita do Pe. Terças:

«Em 27 de agosto de 1941, recebi a visita do Sr.Abade, acompanhado do Sr. Padre Terças e outro sacerdote. Esta visita foi para mim de grande desgosto, pois fiz o sacrifício de respon­der às perguntas que o Sr. Padre Terças me fez diante de todos, o que me custou imenso. Respondi a tudo conscientemente, por­que pensava que viria em estudo como outros tinham vindo. Só Nosso Senhor pode avaliar quanto me custou ter de falar do assunto da Paixão, e foi sobre isto que mais me interrogou. O nosso pároco disse-me que Sua Reverência queria voltar aqui na próxima sexta-feira, dia 20. Não queria ceder ao pedido sem consultar o meu diretor espiritual mas, como me disseram que se tinha de retirar para Lisboa nos dias imediatos a este, consenti dizendo:

“Eu penso que Vossa Reverência não vem aqui por curiosidade.”

Como me afirmasse que não, cedi prontamente, embora me fizesse sofrer muito a sua visita na sexta feira. Sua Reverência não faltou, mas trouxe consigo mais três sacerdotes. Mal eu pensava que esta visita vinha erguer para mim um novo calvário. Não levou muito tempo que Sua Reverência publicasse o que observou e o que soube por mim.

Que Jesus tenha em conta a dor que me causou aquela publicação, por saber que a minha vida foi publicada e os meus segredos revelados, aquilo que tanto tempo escondi!»

(Autobiografia – Visita do Rev. Padre Terças. Consequências desta visita; pág.61/62)

 

 

CONSEQUÊNCIAS DO REGISTO

 

Sabendo do artigo publicado pelo Pe. Terças, Alexandrina ficou magoada e muito preocupada com o que poderia suceder no futuro. Na sua Autobiografia, desabafa:

«A minha ida ao Porto e a publicação da minha vida fizeram inquietar os espíritos dos Superiores do meu Diretor espiritual, a ponto de o proibirem de vir junto de mim e de me prestar a assis­tência religiosa que necessito, assim como o proibiram também de me escrever e de receber as minhas notícias.

Depois disto, principiei a viver de ilusões: virá hoje o meu Diretor espiritual, virá amanhã? Vinham ao meu pensamento mil e uma coisas. Impressionava-me por me lembrar que perdia o tempo em coisas inúteis, mas não era capaz de desviar o meu espírito do que tanto me fazia sofrer.»

(Autobiografia – Visita do Rev. Padre Terças. Consequências desta visita; pág.62)

 

O Pe. Terças deixou-nos o registo escrito da Paixão vivida pela Alexandrina, minuto a minuto. Leia-o aqui.

Cardeal Manuel Cerejeira

 

Manuel Gonçalves Cerejeira nasceu em Lousado, Vila Nova de Famalicão e faleceu  em Lisboa. Filho de Avelino Gonçalves Cerejeira e de Joaquina Gonçalves Rebello tornou-se o 14º Cardeal Patriarca de Lisboa.

Em 1899, entrou para o Seminário-Liceu de Guimarães, tendo transitado, cinco anos mais tarde, para o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, a fim de concluir o curso no dia 1 de abril de 1911.

Em 1916, foi nomeado assistente provisório da cadeira de História Medieval da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e em 1919, Professor Ordinário de Ciências Históricas.

Em 1928, foi nomeado Arcebispo de Mitilene do Patriarcado de Lisboa. No dia 18 de novembro de 1929, o Papa Pio XI nomeou-o Cardeal Patriarca de Lisboa, sucedendo D. António Mendes Belo.

 

 

No site da Fundação Cardeal Cerejeira diz-se na sua biografia:

“Homem de intensa atividade pastoral e doutrinal, fez inúmeras visitas pastorais através de todo o Patriarcado, para conhecer de perto os problemas sociais e religiosos dos fiéis.

Alcançaram grande êxito as suas viagens ao estrangeiro. São de realçar a viagem de 1934 à Argentina para participar no Congresso Eucarístico de Buenos Aires; a de 1935 à Bélgica para o Congresso dos 100.000 jocistas em Bruxelas; a de 1944 a Angola como legado pontifício de Pio XII para presidir à Sagração da Catedral de Lourenço Marques; a de 1950 à Índia como legado Pontifício nas comemorações do IV Centenário da Morte de S. Francisco Xavier, entre muitas outras.

Querendo apaziguar as relações com o Estado, devido às convulsões surgidas com a revolução republicana de 1910, tudo fez para que, em 1940, o Governo Português assinasse a Concordata com a Santa Sé.

Outro marco fundamental na ação do Cardeal Cerejeira foi a criação da Universidade Católica Portuguesa e inauguração levada a cabo em 1967.”

Faleceu a 1 de agosto de 1977 e foi sepultado no panteão privativo dos Patriarcas, no Mosteiro de São Vicente de Fora.»

(Fundação Cardeal Cerejeira; acedido a  05/03/2012)

 

 

CARDEAL CEREJEIRA E ALEXANDRINA

 

Jesus menciona à Beata Alexandrina, o importante papel do Cardeal Cerejeira:

«Diz, Minha filha, ao Meu querido Cardeal, ao Meu tão amado Manuel Cerejeira que, muito disfarçado, diga aos Portugueses que, por muito tempo, façam oração, muita oração, muita penitência e grande reparação.

A justiça Divina ameaça cair com todo o seu rigor em toda a humanidade, mas mais ainda em Portugal, por muitos benefícios do Céu ter recebido.

Diz-lhe que peça a quem pode pôr termo a muita desonestidade, a muita luxúria, que se faça justiça: que a estes males deitem grandes prisões, para que, em vez da justiça Divina caia sobre Portugal a chuva da paz, a chuva do amor de Deus.

Diz-lhe, Minha filha, diz-lhe sem receio: é o Cardeal da doçura, é o Cardeal da graça, é o Cardeal da verdade, é o Cardeal escolhido por Mim, que muito te dirá respeito. O tempo o dirá. Será muito, será tudo.»

(Sentimentos da Alma; 05/03/1949)

 

 

Numa carta ao seu diretor espiritual, Alexandrina fala do Cardeal:

«O Sr. Cardeal é muito meu amigo. Mandou-me, há dias, umas palavras muito, muito reconfortantes: que ao inaugurar a Basílica de Fátima pensou em Balasar. Que me colocou na patena e me ofereceu ao Senhor como vítima pelos pecadores. E mais coisas ainda.

O secretário do Sr. Arcebispo, que é o Dr. Sebastião Cruz, trouxe aqui um cónego e professor de Salamanca. Dizem que ia muito satisfeito. O Sr. Dr. Sebastião disse-me diante dele que sempre esteve e estava ao meu lado. Parece que vem um místico de Salamanca, para estudar o caso junto com ele e com o Dom Abade de Singeverga, que já anda a contas com os escritos.»

(Cartas ao Padre Mariano Pinho; 03/11/1953)

 

 

Escreve o Pe. Humberto Pasquale:

«Num encontro com o segundo diretor espiritual da Serva de Deus, ocorrido no Colégio Português de Roma em 1950, Sua Eminência o Sr. D. Manuel Gonçalves Cerejeira definiu-a mediante uma expressão muito feliz:

“A Alexandrina é um serafim que se consome no amor.”»

(Pe. Humberto Pasquale cit. in Humberto, P.; “Eis a Alexandrina”; pág. 329)

 

 

Numa carta ao Pe. Mariano Pinho (28/06/1956), primeiro diretor espiritual de Alexandrina, o Cardeal Cerejeira afirma:

«O que traz publicado das cartas da Alexandrina é do mais sublime. Nenhum artista soube dizer coisas tão belas. Já nos colóquios tinha lido coisas verdadeiramente admiráveis. Os poetas, mesmo os mais ilustres, teriam gostado de atingir aquelas alturas de intensidade, de emoção, de simplicidade, de beleza.»

(Cardeal Cerejeira cit. in Humberto, P.; “Eis a Alexandrina”; pág. 268)

Missionários Espiritanos

 

Durante a sua vida, Alexandrina recebeu dezenas de sacerdotes, quer religiosos, quer diocesanos. Na sua vida, os missionários espiritanos marcaram presença, tendo em conta que Alexandrina pertencia à Liga Intensificadora da Ação Missionária. Ela foi a tesoureira espiritual do Núcleo de Balasar e uma "missionária" de alma e coração.

Com efeito, Alexandrina Maria da Costa foi a primeira Liamista a ser beatificada.

 

Entre os sacerdotes espiritanos que contactaram com Alexandrina, destacaram-se os seguites: Pe. Terças, Pe. Felício, Pe. Olavo Martins, Pe. José Alves, Pe. M. Augusto Ferreira e o Pe. José Maria de Sousa, entre tantos outros.

 

No ano de 1941, o Pe. Terças assistiu a um dos êxtases da Paixão de Cristo e registou tudo o que viu e ouviu, publicando na revista n.º 10 «Vida de Cristo, a Paixão dolorosa», vol. V, Lisboa, 1941. Dá-nos um testemunho de um êxtase vivido pela Alexandrina.

 

O Pe. Felício visitou-a muitas vezes e com ela rezou pelas Missões.

 

No site português dos Missionários Espiritanos está um testemunho do Pe. Olavo Martins:

«O Pe. Olavo Martins recorda que, com o P. José Felício, fez em Balasar uma Missão. Começou a falar com ela e percebeu que era Deus quem falava pela sua boca. Pedimos-lhe que aceitasse pertencer à LIAM. Ela aceitou e, entre as suas relíquias, lá está o emblema da LIAM. Ele foi confessor durante vários anos. O Pe. Olavo sempre lhe pediu para rezar pelas missões e pelos missionários. A Alexandrina era uma pessoa muito séria e muito profunda. Quando se começou o processo de beatificação, o P. Olavo foi chamado ao Chanceler da Cúria, em Braga, para dar o seu testemunho. Está muito feliz por ter uma amiga e liamista a caminho do altar.»

 Fonte: Site dos Missionários Espiritanos em Portugal 

 

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